THOMAS JEFERSONFernando Cocchiarale (2017)

O objetivo desse conjunto de obras expostos na Art Veine por Thomas Jeferson é apresentar  sua obra mais recente. Há alguns anos que o artista intervém em dispositivos  tecnológicos obsoletos (televisores com tubo catódico, toca-discos, máquinas de escrever e de calcular, entre outros) por meio da técnica artesanal milenar da marchetaria.

Tal objetivo informa o conceito da mostra: expor trabalhos que investigam poeticamente a  tensão  entre artesanato e máquina, surgida desde os primeiros sinais da revolução industrial ao final do século XVIII.

Em nossa época os dispositivos eletrônicos de alta tecnologia invadiram todas as esferas do cotidiano de parte significativa da humanidade – época em que o trabalho manual foi, praticamente, reduzido à esfera digital – muitos artistas tem reagido criticamente a essa euforia, produzindo artefatos radicalmente contemporâneos.

A crítica poética de Thomas não possui qualquer sentido retrógrado, já que não propõe recuo nostálgico ao período pré-industrial. Ao contrário sua crítica incide sobre o maniqueísmo dos cultores acríticos da revolução tecnológica que consideram superadas todas as conquistas técnico -oficinais da humanidade, posto que a fé destes cultores na redução de todo o passado à obsolescência é, sobretudo, preconceituosa.

Ao marchetar dispositivos tecnológicos ultrapassados Thomas Jeferson conjuga num único aparelho o que os repertórios atuais tendem a separar em artesanais e industriais. Tal conjugação supera este cisma integrando-os em novos dispositivos poéticos.

Fernando Cocchiarale é Curador do MAM-RJ