Alexandre Sá

Alexandre Sá vive e trabalha no Rio de Janeiro. É doutor e mestre em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ e licenciado em História da Arte pela UERJ. É um profissional híbrido que trabalha com as mais diversas linguagens (instalações, performances, fotografias, objetos e vídeos) e sua pesquisa plástica tem como preocupação estética as relações entre o texto, a imagem, a poesia, o corpo e a psicanálise. Uma de suas particularidades é o diálogo entre teoria e prática, pois também atua também crítico, escrevendo textos para revistas especializadas. É coordenador da graduação e professor do Instituto de Artes da UERJ; coordenador e professor do curso de Artes Visuais da Unigranrio. Integra a comissão editorial da revista Concinnitas (do Instituto de Artes da UERJ). Foi consultor de projetos artísticos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e atualmente é professor de História da Arte nesta mesma instituição para o curso gratuito de Fundamentação. Atualmente está em processo de formação psicanalítica no Instituto FCCL-Rio (Formações Clínicas do Campo Lacaniano).

 

Ana Miguel

Ana Miguel nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1962. Atualmente vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro. Artista, gravadora e escultora. Durante seu período de formação, no final da década de 1970, dividiu seus estudos em pintura, gravura e história da arte entre as instituições EAV do Parque Lage e Museu de Arte Moderna, ambas no Rio de Janeiro. Entre 1979 e 1985 fez parte da Oficina de Gravura do Ingá, orientada pelas gravadoras Anna Letycia, Edith Behring, Solange Oliveira e também por Carlos Martins. Concomitantemente ingressou no curso de Antropologia, em 1980, na Universidade Federal Fluminense. A partir de 1985, instala-se em Brasília firmando os estudos em Filosofia na Universidade Federal de Brasília, entre 1988 e 1990.

Entre 1991 e 1994, morou em Barcelona. Cursou ateliês e, em 1994, criou e coordenou um ateliê na Escola Taller d'Art, em Tarragona, Espanha. No Arteleku, San Sebastián, assistiu aos seminários coordenados por Francisco Jarauta, em 1993, 1994 e 1995. Recebeu uma bolsa de trabalho da Fundació Pilar i Joan Miró em 1996, em Palma de Mallorca, Espanha. Retornou ao Brasil e voltou a viver em Brasília no ano de 1997.

Convidada pelos diretores Adriano e Fernando Guimarães, a partir de 1998 realizou o figurino para peças de Samuel Beckett, colaborando na concepção do projeto Felizes para Sempre.

Em seus trabalhos utiliza materiais frágeis em diferentes escalas, nomes em diminutivo, cordas, fios, linhas e bordados, veludos, o vermelho enquanto matéria, fragmentos e miniaturas de objetos do universo infantil e feminino, e revela com bastante humor narrativas que beiram o bizarro. Trabalhos que indiciam um território misterioso e ao mesmo tempo risível. Pensa a literatura, o desvio e os afetos.

 

Anna Maria Maiolino

 

Anna Maria Maiolino, artista brasileira, vive e trabalha em São Paulo. Nasceu na Itália em 1942, de pai Italiano e mãe equatoriana.  Emigra para Venezuela em 1954 com sua família. Em 1958 se inscreve na Escola Nacional Cristóbal Rojas (Caracas) no curso de Arte Pura.

Em 1960 com seus pais se muda para o Brasil. No Rio de Janeiro ela frequenta cursos livres de pintura e xilogravura na Escola Nacional de Belas Artes. Maiolino desde o inicio se integra ao novo meio cultural. Na escola conhece artistas como Antonio Dias e Rubens Gerchman, com os quais virá a participar da Nova Figuração, movimento que se afirmava no início da década de 1960 no Brasil. Ela foi uma das artistas que integra em 1967 a mostra Nova Objetividade Brasileira, no MAM, Rio de Janeiro, e assina a Declaração de Princípios Básicos da Vanguarda junto com Oiticica, Antonio Dias, Rubens Gerchman, Lygia Clark e Lygia Pape entre outros. No mesmo ano realiza sua primeira exposição individual no Brasil, mostrando xilogravuras na Galeria Goeldi, no Rio de Janeiro.

Em 1968 torna-se cidadania brasileira e viaja para Nova Iorque. Em meados de 1971 o Pratt University em Nova Iorque lhe concede uma bolsa de estudo para frequentar os ateliês do International Graphic Center Workshop. O trabalho nesse momento abandona a representação. Tendo mergulhado na experiência da poesia, esta a levará à exploração das outras possibilidades imanentes da folha do papel: as corpóreas e espaciais. No final do mesmo ano volta ao Rio de Janeiro. A década de 1970 é significativa no que concerne à experimentação e à utilização de diversas mídias como forma de alongamento do discurso da obra. Esta se apoiará em duas produções poéticas paralelas. Numa o trabalho de ateliê propriamente dito, com seus suportes artesanais, especialmente o desenho. Noutra os trabalhos com super 8 fotografia e instalações

Em 1989, a Associação Brasileira de Críticos de Arte agracia a exposição realizada na Pequena Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, com o Prêmio Mário Pedrosa como a melhor exposição daquele ano, apresentando seus primeiros trabalhos com a escultura moldada. Também inicia as serie de instalações: Terra Modelada, laborando grande quantidade de argila in situ.

Em 2012, Anna Maria Maiolino é contemplada com o Prêmio MASP Mercedes-Benz pelo conjunto de sua obra. Participa da dOCUMENTA 13, em Kassel (Alemanha), com a obra Here & There (Aqui & Lá), composta por uma grande instalação de argila da série Terra Modelada, sons e vegetação, além de uma gravação da voz da artista declamando o poema Eu sou Eu, de sua autoria (impresso em uma pequena publicação). Uma nova retrospectiva sua vem sendo preparada pelo MoCA, que inaugura em setembro de 2017. A obra de Maiolino pertence a importantes coleções públicas e privadas em todo o mundo, incluindo a Galeria Nacional de Arte Moderna em Roma, Itália; a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu Reina Sofía, de Madrid, Espanha e o MoMA. Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA.

 

Arthur Bispo do Rosário

Antes de ser diagnosticado com esquizofrenia paranoica, se acidentou, foi demitido por ameaça ao chefe e defendido pelo advogado José Maria Leone, que o empregou em sua residência, cedendo a casa de caseiro para sua moradia e mantendo uma relação próxima entre 1937 e 1960.  Bispo ficou instalado no endereço da rua São Clemente até surgir a primeira “missão religiosa”, quando sai de casa no dia 22 de dezembro ao receber um chamado religioso. Foi dado como louco e levado da Igreja da Candelária, onde o encontraram dois dias depois, no dia 24 de dezembro de 1938, direto para o Hospital dos Alienados, na Praia Vermelha. O médico Durval Nicolaes, sobre os desvarios do paciente relatou uma jornada celestial, na qual Bispo comenta assumir uma posição religiosa conferindo o diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Revezou internações entre a Colônia Juliano Moreira e o Centro Psiquiátrico Nacional.  

Nos anos seguintes à sua fuga da Colônia Juliano Moreira, em 1954, retomou atividades habituais encontrando trabalho na Clínica Pediátrica AMIU, após exercer as tarefas de segurança de senador e porteiro do Hotel Suíço, no bairro da Glória. Instala uma oficina no porão do endereço, iniciando a criação de seu repertório num processo de catalogação e elaboração das peças. Principia por coletar objetos cotidianos e passa a retirar-lhes sua função utilitária transformando-os em potenciais instrumentos artísticos. Em 1964, voltou à Colônia Juliano Moreira, permanecendo até o final da vida, em 5 de julho de 1989.

Confinado na solitária do Núcleo Ulisses Viana, em 1967, recolheu as chaves e ocupou as dez solitárias do pavilhão com os seus trabalhos, autorizando a entrada de quem respondesse a pergunta: “Qual a cor da minha aura?”

Naqueles espaços, Bispo inventariou objetos mapeados e colecionados no próprio manicômio, usando-os como transmissores de suas mensagens divinas. Produziu um sem-número de enigmas e códigos em suas maquetes, armações, mantos e outros bordados em roupas e estandartes, além dos altares repletos de utensílios cotidianos.

O jornal de TV aberta Fantástico produziu uma reportagem sobre a decadência do sistema manicomial no Brasil, no ano de 1980. Bispo apareceu com parte do trabalho na Colônia Juliano Moreira e ganhou certa visibilidade por isso. Também neste período conheceu a estagiária de psicologia Rosângela Maria Grilo Magalhães, que o visitava constantemente e para quem dedicou várias das obras de sua coletânea de objetos angariados. A constelação de suas obras foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). Sua produção está resguardada pelo museu que carrega seu nome na antiga Colônia Juliano Moreira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

 

Cristina Salgado

 

Cristina Salgado, nascida em 1957, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Desenvolveu estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com Roberto Magalhães e Rubens Gerchman, entre 1978 e 1979. Em 1980 fez sua primeira exposição: a coletiva A nova geração, na Galeria FUNARTE-Sergio Milliet. Participou de inúmeros salões oficiais, recebendo, entre outros, o Prêmio CEMIG de pintura no XVIII Salão Nacional de Belo Horizonte. Mestre em Comunicação e Cultura (ECO/UFRJ) e doutora em Linguagens Visuais (EBA/UFRJ). Foi Artista residente no Yorkshire Sculpture Park, Inglaterra em 1991, pelo British Council. Em 1999 ganhou bolsa RIOARTE, e em 2006, a bolsa Capes de Pesquisa no Exterior, indo ao Chelsea College of Arts and Design, University of the Arts London. Em 2010 recebeu o Prêmio Arte Contemporânea de Ocupação dos Espaços Funarte-BH. Possui trabalhos nas coleções Museu de Arte do Rio-MAR, Gilberto Chateaubriand (MAM-RJ); João Sattamini (MAC-Niteroi); Shell do Brasil, YSP e UECLAA/University of Essex, Inglaterra; British Council, Rio de Janeiro.

Suas exposições individuais mais recentes são No interior do tempo, no Paço Imperial, 2015; A mãe contempla o mar, Galeria Laura Marsiaj, 2014; Ver para olhar, Paço Imperial, 2012; Vista, Projeto Cofre, Casa França-Brasil, 2009, e Grande nua na poltrona vermelha, Cavalariças, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2009. Algumas coletivas recentes são Nos limites do corpo – Projeto Arte Mulher e Sociedade, Residência Artística no Hospital da Mulher Heloneida Studart, Centro Municipal de Arte Helio Oiticica; A cor do Brasil, MAR-RJ; Nós, Caixa Cultural-RJ, 2016; Espelho Refletido: o Surrealismo e a Arte Contemporânea Brasileira, Centro Helio Oiticica, 2012; Entre trópicos 46º05 Cuba/Brasil, Caixa Cultural-RJ, 2011; Entre artistas – Tremores e permutações. Galeria Paradigmas Arte Contemporáneo, Barcelona, 2011.

Publicou em 2015, em coautoria com Gloria Ferreira, o livro Cristina Salgado, sobre sua produção artística.

Foi professora no Departamento de Artes e Design da PUC-RJ de 1993 a 2013, e durante o ano de 2009 no curso de Fundamentação, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É professora adjunta no Instituto de Artes da UERJ desde 1997, onde participa do Programa de Pós-Graduação em Artes, na linha de pesquisa em Processos Artísticos Contemporâneos.

As perspectivas mais recentes dos experimentos artísticos de Cristina Salgado vêm cada vez mais reincorporando materiais e elementos já imantados de sentidos trazidos de trabalhos anteriores, como se entrecruzamentos começassem a ser produzidos. Os meios se entrelaçam cada vez mais nos novos trabalhos, confirmando seu campo simbólico, sempre dentro de um antropomorfismo que expande seus recursos de dessemelhança das realidades imediatas, criando novas analogias.

 

Daniela Mattos

Daniela Mattos vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1977. É artista e atua também como curadora e educadora. Desenvolve sua pesquisa em artes desde 1998. Direcionou sua atenção aos estudos de fotografia, vídeo e performance. Pós-doutora em Linguagens Visuais pelo PPGAV/EBA-UFRJ desde 2016, é doutora pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade, PEPG/PC-PUC-SP, desde 2013, e mestre em Linguagens Visuais pelo PPGAV/EBA-UFRJ, desde 2007. Como educadora, tem atuado em escolas de arte, museus, universidades e cursos livres. Elaborou atividades temporárias e performances em contextos educacionais no ateliê de crianças e adolescentes da École d’art d’Avignon (França, 2005) e no Departamento de Artes Visuais da University of Chicago (EUA, 2013). Foi professora adjunta de Artes Visuais/História da Arte no CAp-UERJ entre 2014 e 2015, e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 2006 e 2011. Ministrou cursos na rede SESC do Rio de Janeiro e de São Paulo entre 2008 e 2009, e no Instituto de Artes da UERJ (2005). Foi a responsável pela consultoria em Arte-Educação no Programa Educativo do CCBB-RJ entre os anos de 2009 e 2010. Seus trabalhos permeiam os campos da palavra e da imagem e são materializados em formatos diversos: objetos, fotografias, vídeos, performances. Muitas de suas obras tem como influência o feminismo, questionando os limites e estereótipos projetados no corpo da mulher. Mapeia sons, propõe jogos entre imagens, memórias e palavras, promovendo relações poéticas que permeiam o corpo, o espaço e a linguagem.

 Leo Ayres

Leo Ayres nasceu no Rio de Janeiro, em 1975, onde reside e mantém ateliê. Promove seus estudos em cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde o ano de 2005. No ano de 2010 foi contemplado nos programas Novíssimos, do Instituto Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro, e Exposições do MARP, de Ribeirão Preto, em São Paulo. Já em 2016, foi selecionado para o processo de imersão EAVerão, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Foi um dos residentes do Programa Extramuros do Parque Lage na Residência São João (RJ).

Segue adensando seu repertório, onde constam palavras, espelhos, luzes, transparências, fluorescências, projeções e miragens. Além da grande curiosidade por diferentes suportes, lança objetos do seu convívio, apresentando-os e depois tornando a incorporá-los ao cotidiano. Leo enfrenta diferentes frentes de trabalho – narrativas distintas, mas que começam a incidir umas sobre as outras. Em 2008 foi montada sua primeira exposição individual, Operação: Camuflagem no Espaço Cultural Furnas, Rio de Janeiro; em seguida montou, em 2011, Como eu na Galeria Oscar Cruz, São Paulo e Discoteca de mão, na Cosmocopa Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. Em 2012 foi a vez de Deixe as luzes acesas no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza. Um ano depois, em 2013, Tananan Opera Chanchada, no Centro Cultural Ibeu, Rio de Janeiro. Neste ano de 2017 se unirá ao conjunto de selecionados para a residência Barda del Desierto, na Patagônia.

 

Renato Bezerra de Mello

 

Nascido no Recife, em 1960, ingressa, em 1979, na Universidade Federal de Pernambuco, graduando-se em Arquitetura e Urbanismo no ano de 1983. Arquiteto de formação acadêmica, aplicou sua força de trabalho no Rio de Janeiro, dedicando-se por 16 anos à restauração e conservação de bens classificados como patrimônio cultural. Nos anos de 1985 e1986 assiste como aluno ouvinte ao curso de Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil, na Pontifícia Universidade Católica, e em meados dos anos 1990 participa de diversos cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tendo tido contato com os artistas e professores João Magalhães, Kate van Scherpenberg, Iole de Freitas e Nelson Leirner.

No ano 2000, compromete-se com o programa de intercâmbio destinado à École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris. Foi aluno e assistente dos artistas Christian Boltanski e Annette Messager.

No ano de 2002, em Paris, participou de sua primeira exposição, uma coletiva em que apresentou a instalação Visionários. Esse trabalho inicial foi o projétil do que seriam os desdobramentos de seu repertório. Começou investigando sistemas de memória, que contam com movimentos seriados‒ o que é fixo e o que está a desaparecer são algumas das inquietações que participam das camadas simbólicas dos trabalhos.

Nos cinco anos que se seguiram à montagem de Visionários, o artista participou de exposições individuais, coletivas em galerias, feiras internacionais de arte e instituições culturais do Brasil e do mundo como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Bolívia, Indonésia e Tailândia. Durante sua vivência na França, participou ainda de dois processos de residência artística, em 2006, no Centre de Photographie de Lectoure.

Em 2007, voltou ao Brasil e se reinstalou no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Com obras selecionadas para completar uma dezena de exposições coletivas entre Rio e Paris, logo nos anos após seu retorno apresentou a individual Casa Forte, no Centro Cultural Banco do Nordeste, 2010. Entre 2012 e 2013 volta a ser aluno ouvinte, desta vez no curso de Pós-graduação em Arte e Filosofia, na PUC RJ.

Entre 2011 e 2016, foi homenageado com cinco exposições individuais, passando por Londres, Rio de Janeiro e Portugal, onde participou da primeira Leitura de Portfolios do CDAP, recebendo o convite na ocasião para uma residência artística, em 2014, na cidade de Lisboa. O projeto ali desenvolvido desdobrou-se numa exposição individual realizada no final de 2016, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Possui obras em coleções privadas e acervos institucionais no Brasil, França e Inglaterra.

 

Ricardo Basbaum

 

Ricardo Basbaum nasceu em São Paulo, em 1961. Transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro em 1977, onde vive e trabalha atualmente. Optou pelos estudos de ciências biológicas, que cursou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre 1979 e 1982. Já em 1981, formou, com o artista Alexandre Dacosta, a Dupla Especializada, e logo em 1983 unem-se a Barrão para lançar o Grupo Seis Mãos. Especializou-se em História da Arte pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, entre 1985 e 1987. Foi artista residente da Universidade Estadual de Campinas, em 1987. Nesse mesmo ano participou ativamente das ações do grupo A Moreninha. E um ano depois, em 1988, promoveu sua primeira exposição individual, no Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro. Iniciou a pesquisa do Projeto NBP - Novas Bases para a Personalidade, em 1989, dando conta dos desdobramentos em diagramas, desenhos, instalações e outras experiências, com a intenção de estabelecer ligações entre obra e público, propondo vivências participativas e coletivas que perduram até hoje em seus trabalhos, além de outros sistemas de colaboração.

Passou a coordenar o Núcleo Teórico e o Núcleo Intermídia da EAV do Parque Lage, em 1991, mesmo momento em que forma, com outros artistas, o grupo Visorama. Foi o ganhador da bolsa do British Council para realizar Pós-Graduação em Artes no Goldsmiths’ College, Londres, que cursou entre os anos de 1993 e 1994.  Concluiu seu mestrado em comunicação e cultura na UFRJ em 1996. Também coordenou o Agora - Agência de Organismos Artísticos entre 1999 e 2003, junto com Eduardo Coimbra e Raul Mourão.

Foi coeditor da revista Item, voltada para arte e cultura contemporânea. Curador da mostra Mistura + Confronto (Porto, 2001), e cocurador do Panorama da Arte Brasileira 2001 (MAM-SP). Atua como professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e seus trabalhos constam em coleções institucionais do mundo todo.

 

Tunga

 

No ano de 1952, nasceu em Palmares, Pernambuco, Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga. Mudou-se para o Rio de Janeiro, concluindo a graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Santa Úrsula, em 1974. No mesmo ano monta a exposição individual Museu da Masturbação Infantil, no MAM RJ, contendo desenhos fantásticos e ficcionais. Na mesma época, forma com os artistas José Resende, Waltércio Caldas e Cildo Meireles a revista Malasartes e o jornal A Parte do Fogo. Logo no início de sua produção apareceram feltros, fios elétricos, correntes de metal, borracha e lâmpadas, produzindo objetos tridimensionais, performances e depois obras de cunho instalativo. Com atenção à materialidade dos trabalhos, desenvolveu muitos de seus projetos a partir do uso do cobre, aço, ímã, ossadas, vidro, elementos trançados de toda a natureza, fluidos, cabelos e os próprios corpos humanos.   

Os trabalhos passaram a buscar suas referências no interior do conjunto de sua obra. Um inventário fantástico no qual foram pensados pelas vias da arqueologia, filosofia, psicanálise, literatura, teatro, cinema, química, música, física e biologia, além da própria história da arte. Embasado numa visão filosófica, operou no terreno da construção de irrealidades. Fez uso destemido do corpo como território de expressão, e como resultado uma estranheza surreal parece zelar pelo conjunto de sua obra.

Tunga esteve em muitas edições da Bienal de São Paulo e participou de tantas outras bienais internacionais: Bienal de Veneza, Bienal de Havana, Bienal do Mercosul, Bienal de Kwang-J e Lyon. No Brasil, é homenageado com três pavilhões do Instituto Inhotim, em Brumadinho-MG. Foi o primeiro artista contemporâneo a expor no Museu do Louvre, Paris, com a obra À Luz de Dois Mundos (2005), o Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova York, possui as obras Cooking Crystals (2010) e Ão (1981). Em sua passagem pelo cinema lançou parcerias com cineastas reconhecidos e de diferentes gerações desde os anos de 1980, como Arthur Omar (Nervo de Prata, 1987), Murillo Salles (Floresta Sopão – Mondrongos Jambo, 2002) e Erick Rocha (Quimera, 2004). No ano de 2016, a curadoria do Festival do Rio preocupou-se em exibir todos os filmes de sua carreira.

Falecido em junho de 2016, decorrente de um câncer que vinha enfrentando, Tunga deixou em suas “instaurações”, um legado para a arte contemporânea brasileira: as Teresas, desenhos e esculturas de corpos entrelaçados e mutáveis, os fósseis, a reorganização do duplo, o diálogo com outras áreas e a necessidade de transformação.